Museu Nacional de Arqueologia · Lisboa

130
Anos

Em Viagem

130 ANOS EM VIAGEM

Museu Nacional
de Arqueologia

Um Museu Nacional centenário não é coisa rara. Mas o que é raro é o propósito e a génese de cada um, as colecções que conservam, a sua história e o compromisso cívico que assumem perante as suas comunidades.

Esta exposição recorda precisamente o que faz do Museu Nacional de Arqueologia um lugar singular e incontornável na História da Arqueologia em Portugal: as escavações que os diretores e os principais protagonistas das equipas dinamizaram e que revelaram sítios que se tornaram emblemáticos na Arqueologia, as coleções que se reuniram e se constituíram num acervo nacional e internacional de referência, as publicações editadas com a chancela do Museu e que se tornaram fontes de consulta obrigatória, as exposições memoráveis que ultrapassaram fronteiras e o contributo para a evolução da Arqueologia enquanto ciência.

130 anos depois, a viagem continua.

História

Linha do Tempo

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Imagem · 1893
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1893
Fundação

O Rei D. Carlos promulga o decreto de criação do Museu Ethnographico Portuguez, atual Museu Nacional de Arqueologia. Bernardino Machado (1851-1944), então Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, e José Leite de Vasconcelos (1858-1941), o seu primeiro diretor, estão na sua génese.

[Diário do Governo © LNEG]

1894

A primeira morada do Museu Ethnographico Portuguez foi na Academia das Ciências de Lisboa, numa sala cedida pela Direção dos Trabalhos Geológicos do Reino.

[Foto do final do séc. XIX © AMF-AMLSB]

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1895

José Leite de Vasconcelos criou O Arqueólogo Português «para estabelecer relações literárias entre os diversos individuos que, ou por interesse scientifico, ou por mera curiosidade, se ocupam das nossas antigualhas».

Sob a direção de Manuel Heleno, especializa-se na publicação dos resultados das investigações arqueológicas e das recolhas etnográficas.

Esta é a revista mais antiga em Portugal que é editada em continuidade por um Museu Nacional e que assenta numa relação secular com a Editora do Estado: a Imprensa Nacional da Casa da Moeda.

[OAP, Série 1, vol. I, Capa da 1.ª edição]

1896

Nas palavras de Leite de Vasconcelos, a Orca dos Juncais, em Vila Nova de Paiva, uma sepultura pré-histórica com mais de 5.000 anos, com «camara coberta, galeria inteira, e mais de metade da mamoa, já por conter em alguns dos seus esteios pinturas», deveria ser considerado «monumento do Estado».

Foi a primeira vez que se descobriu um dólmen com pinturas rupestres.

[Elemento de esteio com pintura a vermelho, MNA 18796, OAP, Série 1, vol. II, p.225]

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1897
130 Anos em Viagem

«Todo o meu empenho consistiu em apurar a verdade, no serviço da Sciencia.».

Os três volumes das Religiões da Lusitânia (1897, 1905, 1913) pretendem fazer a mais completa síntese sobre as religiões antigas da Península Ibérica, apelando à preservação de valores identitários no espírito nacionalista que marcou o século XIX.

[Capa da 1.ª edição, 1.º Volume]

1898

É em São Bartolomeu de Castro Marim que Leite de Vasconcelos realiza as primeiras escavações arqueológicas de uma olaria romana em Portugal.

Esta descoberta consiste na mais antiga escavação de um centro produtor de ânforas de fabrico lusitano e tornou-se num dos casos mais emblemáticos da «arqueologia da produção» do período romano, mantendo-se um paradigma da investigação no contexto da Lusitânia e da Hispânia romana.

[Desenho do forno e das ânforas, OAP, Série 1, vol. IV, p.329-336]

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1899

Agregação do Museu ao Conselho Superior dos Monumentos Nacionais, que tinha como competências estudar, classificar e inventariar os monumentos nacionais, e propor ao Governo as ações necessárias para a sua conservação, restauro e divulgação, numa primeira iniciativa de salvaguarda e fruição pública destes monumentos.

[Emílio Biel & C.ª Editores, séc. XIX © AMF-AMLSB]

1900

A 21 de Novembro são atribuídas ao Museu Etnológico Português novas instalações no edifício dos Jerónimos.

Até esta data, existiam aqui dois espaços museológicos.

A nascente, o Museu Agrícola e, a poente, na foto, o Museu Industrial e Comercial de Lisboa, de que ainda se lê, na foto, o início do letreiro «Museu Industr…».

[Rocha Peixoto, c. 1893 © AMF-AMLSB]

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1901

«Nunca o Museu recorreu a ele, que o não encontrasse disposto a ajudá-lo; das suas mãos saiu (...) a maior parte das propostas em que assentaram os despachos ministeriais que beneficiaram o Museu, e por elas passou igualmente o plano da reforma de 1901 (...).

Sem [Severiano Monteiro] o Museu talvez se tivesse arrastado definhante, sem atingir cabalmente o alvo a que aspirava.»

[Leite de Vasconcelos sobre Severiano Augusto da Fonseca Monteiro, História do Museu Etnológico, 1915]

1902

Félix Alves Pereira (1865–1936), especialista em arqueologia, etnografia, antropologia, epigrafia e história, foi oficial conservador do Museu de 1902 a 1911, e autor e desenhador n’O Arqueólogo Português.

Foi, segundo Leite de Vasconcelos, essencial para a estruturação inicial do Museu nos Jerónimos.

O seu legado perdura através das muitas recolhas de artefactos que efetuou e do seu arquivo pessoal, doado pela família entre 1962 e 1965.

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1903

«Felizmente consegui que o Governo me desse a mais linda casa a que eu podia aspirar para o Museu!

Não tenho inveja a nenhuns Museus agora, pois estou magnificamente em Belém, numa ala independente e grande, com boa mobília e luz.»

escreve José Leite de Vasconcelos ao etnógrafo António Tomás Pires.

[Lisboa: Faculdade de Letras, 1964. Carta 134. Foto: Piso Superior, Ala Poente, início do século XX]

1904

«47 carroçadas».

Este recibo dá-nos a dimensão da magnitude do transferência das coleções da Academia das Ciências para os Jerónimos.

O condutor, Bernardo António de Sá, assumiu posteriormente funções no Museu como arqueólogo, tendo efetuado escavações de grande importância.

[© LNEG]

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1905

«Tenho continuado a estudar o meu Endovélico, e alguma luz vou achando», escreve Leite de Vasconcelos a Francisco Martins Sarmento a 9 de abril de 1891.

Os resultados da escavação em São Miguel da Mota (Alandroal), onde se descobriram importantes esculturas e epígrafes consagradas a esta divindade autóctone, foram publicados nas Religiões da Lusitânia (2.º vol).

O acervo recolhido conserva-se no MNA desde então.

[Cardoso, M., Revista de Guimarães, 65, 1955, p.243. Cabeça de Endovélico © MNA]

1906

No ano em que o Museu, já nos Jerónimos, abre ao público pela primeira vez - no Domingo, 22 de Abril, no âmbito do XV Congresso Internacional de Medicina -, Leite de Vasconcelos adquire este diadema da Idade do Bronze, proveniente da Quinta da Água Branca (Vila Nova de Cerveira), um dos mais notáveis achados arqueológicos do início do século.

[MNA Au 85]

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1907

Desde a abertura do Museu, que a sociedade civil e a comunidade científica reconheceram a importância dos bens culturais ali guardados para a história da arqueologia e etnografia portuguesas, motivando, desde cedo, grande envolvimento em Portugal e no estrangeiro.

[Postal ilustrado]

1908

Escavação de uma necrópole na Lapa da Galinha (Alcanena) com mais de 3.000 anos, um exemplo do designado «Megalitismo de gruta».

José de Almeida Carvalhais (1854-1919), coletor preparador do Museu, atua em estreita articulação com Félix Alves Pereira (1865-1936), oficial conservador da mesma instituição.

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1909

José Leite de Vasconcelos visita o Egito no âmbito da participação num congresso no Cairo.

Motivado pelo desejo incessante de fazer crescer o acervo do Museu, compra 70 bens culturais que constituíram a base da coleção de Antiguidades Egípcias, a mais numerosa em museus portugueses.

[Templo de Hatshepsut em Deir-el-Bahari, Egito © APJLV]

1910

Vinte dias após a implantação da República, Leite de Vasconcelos solicitou ao governo provisório os dois guerreiros castrejos de Boticas, que há muito perseguia, e que se localizavam na passagem entre o Jardim Botânico da Ajuda e o Museu de História Natural.

Foi informado por ofício subscrito a 26 de Janeiro de 1911, pelo Superintendente Joaquim Martins Sequeira de Carvalho, que por despacho do Ministro das Finanças José Relvas, os poderia recolher.

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1911

Publicação de um importante trabalho sobre a proteção de sítios arqueológicos com exemplos de boas práticas em Itália, Grécia e França.

Leite de Vasconcelos divulga a nova legislação republicana onde o património e a arqueologia tem amplo destaque.

A nova lei é elaborada na conformidade da lei italiana e da espanhola, e ainda de algumas disposições da legislação dos Estados Unidos da América.

[Cópia de um bilhete postal ilustrado da proteção de um sítio arqueológico na Alemanha. Desenho de José Stuart de Carvalhais, OAP, Série 1, vol. XVI, p.126]

1912

José Leite de Vasconcelos desloca-se a Itália para participar no Congresso Arqueológico de Roma, onde presidiu à seção de Arqueologia pré-histórica, e apresentou a comunicação Le peuplement du Portugal aux temps préhistoriques.

[Álbum de fotografias de peças emblemáticas do Museu produzido por Félix Alves Pereira]

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1913

A vocação internacional do Museu foi desenvolvida desde os anos iniciais da sua actividade, seja na interlocução com instituições e investigadores de todo o mundo, seja através de permutas de publicações científicas, de que a Cambridge Antiquarian Society é um exemplo.

1914

«Ao Sr. Fernando Barreiros, capitão da Guarda Fiscal, que começa a dedicar-se com grande entusiasmo à arqueologia transmontana, deve o Museu Etnológico, entre outros serviços, a posse das duas lápides romanas.»

Leite de Vasconcelos, OAP, Série 1, vol. XIX, p.89-90 [Estela de Reburrinus, MNA 994.44.1]

Neste ano, o Museu adquire, por decreto «... o direito de exploração e escavação de todas as estações arqueológicas situadas em terrenos públicos, (...) montes, campos, matas, caminhos e outros».

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1915

«Nada nos educa e ilustra como viajar!»,

escreve Leite de Vasconcelos a abrir o relato de uma viagem cultural e científica, que durou cerca de dois meses, entre Campolide, «o bairro onde vivia», e Melrose, «o ponto mais longínquo» a que chegou, em Edimburgo, Escócia.

1916

A relação entre Leite de Vasconcelos e Bernardino Machado abarca mais de 50 anos de cúmplice convívio.

Sempre que Bernardino Machado assumiu altos cargos no Estado Português, de uma maneira ou de outra, esses momentos foram benéficos para o Museu.

O reconhecimento para com Leite de Vasconcelos deu-se em 1916, durante o primeiro mandato como Presidente da República, quando lhe atribui o Diploma de Funções Públicas.

[© APJLV]

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1917

Publicação por Félix Alves Pereira da descoberta deste capeamento de cipo prismático romano (monumento epigráfico) que se encontrava ao fundo da Calçada de Carriche, antes da ponte da Póvoa de Santo Adrião, Odivelas, a servir de bebedouro para animais, «encostada à parede de uma casa humilde».

[OAP, Série 1, vol. XXII, p.97-105. MNA 994.4.11]

1918

Para colmatar as dificuldades trazidas pela Grande Guerra, foi dado um abono aos sete funcionários cujo vencimento dependia exclusivamente do Museu.

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[Folha de abono de subvenções nos termos do decreto n.º 3:420, de 05 de Outubro de 1917 - Despesas excepcionais resultantes da Guerra]
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1919

As redes científicas internacionais criadas pelo Museu potenciaram numerosas publicações de importantes investigadores como o artigo La ceramic prehistoric decorada. Los vasos de las grutas de Palmella, de José Ramón Mélida, um estudo comparativo sobre a ornamentação de vasos campaniformes encontrados em Portugal e Espanha.

[OAP, Série 1, vol. XXIV, p.23-32, Estampa V]

1920

Báculo ilustrado por Francisco Valença, desenhador do Museu até 1952.

Encontrado na Anta 3 da «Herdade das Antas», é símbolo de prestígio e de poder nas sociedades agropastoris que habitaram o nosso território entre 3.500 - 2.000 a. C. - Neolítico Final / Calcolítico.

[MNA 2004.181.1]

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[MNA E6672]
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1921

Epitáfio de Flaviana descoberto em Colos, concelho de Alenquer, e que Leite de Vasconcelos adquiriu para o Museu através de Abreu Peixoto, em Lisboa.

Foi desenhada por Francisco Valença.

[MNA E6672]

1922

Quadro de João Saavedra Machado (1887-1950), desenhador do Museu, apresentado na Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil (1822-1922), onde Portugal teve um pavilhão dedicado à sua história e à sua relação com o Brasil.

Esta composição com ilustrações e aguarelas foi premiada com a medalha de prata.

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[Escavação na Herdade Grande 3, por Manuel Heleno. OAP]
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1923

«Faltam os documentos escritos. Mas falam as pedras. Tudo vai em as compreender».

Os monumentos «são documentos da vida passada que é preciso estudar (…)» e não «simples ornamentos, nem simples curiosidades».

Manuel Heleno, adapt. de Lições de Arqueologia.

1924

Um touro deitado coroa este thymiaterion de estética orientalizante.

Encontrado em Safára (Moura), trata-se de um queimador ritual da Idade do Ferro.

Leite de Vasconcelos apresenta-o ao público, pela primeira vez, no OAP, Série 1, vol. XXVI, p.34.

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[OAP, Série 1, vol. XXVII, p.23-24, MNA Au 172]
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1925

No artigo Hierologia Lusitanica, Leite de Vasconcelos publica este amuleto de corpo fálico rematado, de um lado, por uma figa e, do outro, por uma cabeça de leão, que terá servido de importante amuleto de defesa, ou de protecção contra o mau olhado.

1926

Os trabalhos arqueológicos dirigidos por Vergílio Correia em Alcácer do Sal (Olival do Senhor dos Mártires) permitiram identificar uma importante necrópole do século VII-I a. C.

Entre as numerosas cerâmicas e objetos votivos, recolheu-se a maior coleção de vasos gregos em Portugal.

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[Krater-de-sino de estilo ático de figuras vermelhas, MNA 11257]
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[De Terra em Terra, Excursões Arqueológico - Etnográficas. Coleção «História, Ciência e Arte». Lisboa: Imprensa Nacional, 1927]
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1927

«De Terra em Terra é um livro de um sábio, escrito em linguagem tão vernácula como ligeira, cheio de atrativo, com notas interessantíssimas e páginas cheias de espírito tão simples quanto português».

In Diário de Lisboa, de 1 de outubro de 1927, p. 1.

1928

No artigo Novas inscrições ibéricas do Sul de Portugal, Leite de Vasconcelos destaca a Estela do Cerro dos Enforcados (Ourique) como um belo exemplar da enigmática escrita do sudoeste, a mais antiga escrita da Península Ibérica.

De cronologia pré-romana, surge associada a contextos funerários.

[Estela do Cerro dos Enforcados, Ourique, MNA 2000.24.1. OAP, Série 1, vol. XXVIII, p.205-208]

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[Carta de Tomás Leite Pereira de Melo e Vasconcelos, primo e afilhado de JLV]
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1929

«Soube pelos jornais que um decreto ultimamente publicado o tinha afastado do serviço, obrigando a reformar-se. Logo vi que isso lhe ia dar forte dissabor...

Felizmente, pôde ver-se apreciado uma vez mais, ao fim de tantos anos…

Entendo ser uma homenagem muito mais simpática dar o nome de um homem a um museu do que a uma rua ou praça pública.»

1930

Início da direção de Manuel Heleno, cujo legado de 34 anos resultou num Museu mais vocacionado para a Arqueologia.

Como proferia nas suas aulas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa:

«A arqueologia não é uma ciência livresca, estática, erudita: o seu campo é toda a terra: serras e planícies, desertos e florestas; o seu arquivo a natureza».

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[Tesouro da Herdade do Álamo, Sobral da Adiça - Moura, MNA Au 188 a Au 192, adquirido por Manuel Heleno em 1930]
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[Manuel Heleno na escavação da Anta de Vale de Beiró, em Coruche]
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1931

O arqueólogo demonstrou um singular interesse pelo Megalitismo, ao sistematizar uma série de trabalhos de campo em monumentos megalíticos do Alentejo central.

1932

O Museu passa a ser o «organismo central de vigilância de investigação arqueológica», tendo a responsabilidade de, entre outras, autorizar escavações e propôr a classificação de património arqueológico.

Numa sátira à decisão do governo, o Sempre Fixe reserva a capa para a publicação de uma caricatura de Manuel Heleno.

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[Extensão cultural do Museu Etnológico, OAP, Série 2, Vol. II, p.283. Recorte © Diário de Notícias]
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1933

Criação do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia (IPAHE), por diploma de Gustavo Cordeiro Ramos, Ministro da Instrução Pública.

Sediado no Museu Etnológico, pretendia «formar um todo harmónico e contínuo de cultura científica» constituido por «a Arqueologia, estudo dos monumentos, a História, estudo dos documentos, e a Etnografia, estudo da tradição oral e das sobrevivências».

A revista deste instituto será criada em 1935 e foi decidido atribuir-se-lhe o nome de Ethnos, que em grego significa «cultura».

1934

A Necrópole de Silveirona I e II, em Estremoz, destaca-se na história da Arqueologia por nela ter sido utilizada a fotografia aérea, pela primeira vez, em Portugal, em âmbito arqueológico.

Manuel Heleno implementa esta metodologia e, assim, foi possível perceber a extensão e a configuração da necrópole.

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[Placa de xisto da Anta 2 do Batepé, Herdade do Siborro, MNA 2004.444.1]
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1935

«É uma anta notável pelo material e pela construção (...) como provam a alabarda, o báculo e os chapões, quatro antropomorfos, um deles com pescoço, outro começado e não acabado, e outro com olhos e pestanas.»

Manuel Heleno

1936

Muitos eram os trabalhadores locais que o Museu envolvia nas escavações que realizava pelo país.

A história da instituição passava, também desta forma, a estar inscrita na história das localidades.

A escavação do Abrigo das Bocas, em Rio Maior, é uma das mais importantes naquele território pela quantidade e diversidade de materiais, abrangendo desde o Paleolítico, Neolítico antigo, até à Idade do Bronze, Época Romana e Época Medieval.

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1937

Homenagem a Leite de Vasconcelos e inauguração do busto em bronze que o representa, da autoria do escultor Júlio Vaz Júnior.

A cerimónia, decorrida no Museu, contou com a presença do Presidente da República, General Óscar Carmona, e o Ministro da Educação Nacional, António Pacheco.

1938

Rosa Carvalheira y Capeans (1894-1995) preparadora do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos, é considerada uma das pioneiras femininas da Arqueologia portuguesa.

Colaborou no 1.º Congresso de História da Expansão Portuguesa do Mundo, com o trabalho Resumo do Estudo Arqueológico das Viagens de Lisboa a Angola e de Lisboa à Ilha de Santa Helena, em Navios de Vela, baseado na Relatione del Reame di Congo et delle Circonvicine Contrade de Duarte Lopes & Filippo Pigafetta.

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1939

«Em 1939 descobriu-se casualmente na Ermegeira, freguesia do Maxial, concelho de Torres Vedras, uma gruta artificial. (...) O aparecimento de um par de brincos de ouro e quatro tubinhos de folha enrolada do mesmo metal, ocasionaram a destruição de parte do monumento e das ossadas e abundante cerâmica que possuía.» Manuel Heleno, «Gruta artificial da Ermegeira».

Ethnos. Vol. II. Revista do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia. Lisboa. 1942.

[Brincos em Ouro, MNA AU 410 e AU 411]

1940

Durante a exposição d’O Mundo Português, recriou-se o cortejo histórico da embaixada que D. Manuel I enviou ao Papa Leão X, em 1514.

A varanda frontal do Museu foi local privilegiado para as altas entidades do Estado assistirem a esta celebração.

[© Diário de Notícias]

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1941

As escavações do Museu, sob a direção de Manuel Heleno (1937 e 1939 - 1942), no arqueossítio do Paleolítico Superior de Vale Comprido, no concelho de Rio Maior, revelaram significativas indústrias do período Gravetense.

Em 1975, a jazida foi relocalizada pelo Grupo para o Estudo do Paleolítico Português – GEPP, sediado no Museu e, nos anos de 1990, foi reavaliada por João Zilhão no âmbito da sua investigação.

[Lamela de dorso em sílex, MNA 986.79.680]

1942

Este conjunto de 41 botões de ouro da Idade do Ferro integra o tesouro de ourivesaria arcaica do Museu, um dos mais expressivos da Península Ibérica. 39 foram encontrados numa propriedade em Cruceira e foram posteriormente adquiridos à casa de câmbio Almeida, Bastos & Piombino e C.ª, de Lisboa.

Os restantes dois são legado da colecção Barros e Sá.

[MNA Au 229]

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1943

O sítio arqueológico do Castro da Azougada, Moura, implanta-se de forma dominante na margem esquerda da foz do rio Ardila.

O vasto e diversificado espólio arqueológico recolhido documenta uma importante e singular ocupação da Idade do Ferro situada cronologicamente entre o século V a. C. e a primeira metade do século IV a. C.

[Vista geral do morro da Azougada]

1944

Georg Leisner (1870-1957) e Vera Leisner (1885-1972) foram dois importantes arqueólogos alemães que realizaram um longo trabalho de investigação acerca do Megalitismo e da Arqueologia Pré-histórica na Península Ibérica.

As vicissitudes da Segunda Guerra Mundial motivaram a sua permanência em Portugal onde identificaram, escavaram e documentaram vários sítios arqueológicos em colaboração com Manuel Heleno e o Museu.

Em 1944, efetuou-se uma intensa campanha de levantamentos no alentejo.

[LEISNER, Georg und Vera - Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel.Berlin: Walter de Gruyter & Co.,1959, Tafel 77]

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1945

O sarcófago das vindimas foi descoberto por Mesquita de Figueiredo, no dia 10 de Junho de 1944, na varanda de uma casa particular na Rua Serpa Pinto, em Vila Franca de Xira, onde servia como tanque de amanhar peixe.

Foi adquirido por Manuel Heleno, em 1945, para integrar a coleção de escultura clássica.

[MNA 21523]

1946

Entre o acervo recolhido no povoado Calcolítico do Outeiro de São Bernardo (Moura), por Manuel Heleno e J. Fragoso de Lima, destaca-se «o mais importante conjunto de artefactos metálicos domésticos atribuíveis a uma única ocupação campaniforme reconhecida no ocidente peninsular» (Cardoso, Soares e Araújo, 2002).

[Reprodução do caderno de campo de Manuel Heleno]

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1947

Este candil zoomórfico provém da antiga coleção do rei D. Luís I, vinda do Palácio da Ajuda.

Filiando-se na prática das oficinas inicialmente surgidas no Irão Oriental e no Afeganistão nos sécs. IX-XI, estas formas zoomórficas conheceram uma grande difusão pelo Ocidente, e tem um paralelo no Museo Cerralbo, em Madrid.

[MNA 35037. CATÁLOGO da Exposição: Portugal Islâmico. Os Últimos Sinais do Mediterrâneo. Lisboa: Min.Cult., IPM, MNA, 1998, p.195]

1948

Numa inédita e inovadora parceria com uma equipa de técnicos italianos do Opificio delle Pietre Dure di Firenze, empreendeu-se pela primeira vez, e sob a direção de Manuel Heleno, ao trabalho de levantamento integral, consolidação, assentamento e remoção dos mosaicos de um sítio arqueológico.

A descoberta da villa de Torre de Palma, Monforte, revelou uma das mais notáveis estruturas do mundo rural romano no Alentejo.

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1949

Monumento Nacional desde 16 de Junho de 1910, o sítio arqueológico de Troia, em Grândola, é objeto de uma série de campanhas de escavações promovidas pelo Museu.

Enquanto professor de Arqueologia e de Pré-História, Manuel Heleno alicerçava a teoria à prática, convocando os alunos de Arqueologia da Faculdade de Letras a participar em escavações.

[Manuel Heleno com alunos, 1949-55]

1950

Manuel Heleno sublinhou o potencial arqueológico do antigo entreposto romano e sempre demonstrou preocupação com a sua salvaguarda.

Cita um verso de Leite de Vasconcelos para se referir a Troia:

«Ninguém vos entende, só meu coração!».

[M. H. nas escavações de Troia, foto s/data]

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1951

A natureza do sítio arqueológico da Cabeça de Vaiamonte, Monforte, foi reconhecida ainda em 1923.

Mas foi a descoberta da villa romana de Torre de Palma que deu origem a um conjunto de intervenções arqueológicas na região que se estendeu ao povoado fortificado. Manuel Heleno procedeu às primeiras sondagens no local, seguindo-se novas campanhas de escavação até 1964, sempre em paralelo com as efetuadas em Torre de Palma.

[Brinco, MNA Au 576]

1952

«Na esteira das convicções da época, [J. Leite de Vasconcelos] acreditava sem hesitação no papel científico e educativo dos museus, considerando-os, ainda, instrumentos insubstituíveis de política patrimonial.»

Adília Alarcão, OAP, vol. XXVI, 2008.

[Ala Oeste, entrada principal e Galeria Poente]

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1953

Um dos Tesouros da Arqueologia Portuguesa foi uma descoberta de crianças.

Aconteceu em Borralheira, Teixoso, Covilhã, quando duas meninas que brincavam se depararam com um notável conjunto de áureos romanos.

[Áureo de Trajano com representação de Fortuna, MNA Au 510. Composição a partir de duas fotografias de Matthias Tissot]

1954

O que salvar em caso de guerra?

Em resposta a este despacho do Ministério da Educação Nacional e da Direção Geral do Ensino Superior e Belas Artes, o Museu elabora a primeira lista de bens de «excepcional valor» para serem «evacuados em caso de guerra».

Inclui, entre outros, a raríssima Tábua de Hospitalidade da Juromenha, onde se estabelece um pacto de hospitalidade entre o governador da Lusitânia, no tempo de Tibério, e três cidadãos.

[Alandroal, Évora, MNA 2000.40.1]

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1955

Manuel Heleno inicia a investigação arqueológica nos concheiros com ocupação Mesolítica no Vale do Sado.

O Cabeço do Pez, Barrada das Vieiras e Vale de Romeiras, Torrão, Alcácer do Sal, são alguns dos sítios que foram alvo de escavações até 1967, pela equipa do Museu.

1956

O morabitino foi a primeira moeda de ouro a ser cunhada no Reino de Portugal por iniciativa de D. Sancho I (1185-1211) e tem especial simbolismo porque visa legitimar a monarquia cristã numa época de conquista do território ao islão.

A iconografia representa o rei a cavalo, coroado e com espada em punho e, na inscrição, lê-se «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo Amen».

[Morabitino de D. Sancho I, MNA 2014.14.1, adquirido a Paulo Damião Dias]

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1957

Neste ano, o pré-historiador Jean Roche (1913-2008) visita o Museu, fruto da relação de trabalho e de amizade que construiu com Manuel Heleno.

Enquanto Roche, chegado a Portugal em 1949, realizava escavações em Muge, Heleno conduzia os seus trabalhos no Vale do Sado, para o mesmo tipo de contexto crono-cultural.

1958

O 1.º Congresso Nacional de Arqueologia realizou-se de 15 a 20 de Dezembro, em homenagem a José Leite de Vasconcelos.

Esta iniciativa da Subseção de Antiguidades, Escavações e Numismática da Junta Nacional de Educação assinalou o centenário do nascimento do fundador do Museu.

A abertura teve lugar na Faculdade de Letras de Lisboa, pelo Presidente da República, Américo Rodrigues Tomás, acompanhado pelo Ministro das Obras Públicas, Eduardo Arantes de Oliveira e pelo Ministro da Educação Nacional, Francisco Leite Pinto.

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1959

Primeira prospeção arqueológica subaquática em Portugal, nas imediações das ruínas romanas em Troia.

Com supervisão de Manuel Heleno, contou com a colaboração dos finalistas de um dos primeiros cursos de mergulho amador com escafandro autónomo promovido pelo Centro Português de Actividades Submarinas (CPAS).

A arqueologia subaquática como disciplina e projeto global forma-se no quadro do Museu Nacional de Arqueologia, a partir de 1980.

[ © Eng.º Jorge de Albuquerque - CPAS]

1960

O interesse pelas ruínas de Miróbriga recua até ao séc. XVI. Mas só nos anos de 1940 do século XX, é que numerosas sondagens identificaram uma via romana, as termas, restos de paredes da «acrópole» e o circo.

De 1959 em diante, D. Fernando de Almeida foi convidado pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais a continuar as investigações na cidade romana.

D. Fernando de Almeida foi Diretor do Museu entre 1966 e 1973.

[Asse com efígie de Júpiter cunhado em Alcácer do Sal - *Bevipo ou *Kallipo -, MNA 2006.54.2]

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1961

No ano que o Museu sofreu uma reestruturação dos espaços interiores, a antiga entrada, na extremidade poente do piso térreo, foi cedida ao Museu de Marinha.

A nova entrada no Museu passou para a extremidade nascente, defronte da Igreja.

[Obras na galeria interior © Analide Óscar, SIPA]

1962

A D. Fernando de Almeida devem-se as primeiras investigações ligada à Arqueologia Medieval, os primeiros ensaios monográficos e o primeiro grande inventário sistemático d’A Arte Visigótica em Portugal (Lisboa, 1962), onde o autor estabelece que a arquitetura e ornamentação visigótica têm manifestações artísticas próprias.

[Pilastra de Silves, MNA E 6483]

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1963

A descoberta neste ano da Gruta do Escoural, Montemor o Novo, e as escavações realizadas pela equipa do Museu, revelaram vestígios de uma necrópole do Neolítico.

Manuel Heleno soube do acontecimento pelo Diário de Notícias de 19 de Abril.

O prosseguir da investigação documentou, pela primeira vez, pinturas e gravuras rupestres do Paleolítico Superior, as únicas em gruta em Portugal.

As pinturas foram desenhadas a tinta-da-china e encontram-se arquivadas no Museu, como este auroque.

1964

João Loureiro Saavedra Machado, diretor interino do Museu entre 1964 e 1966, empreende um grande levantamento da história da instituição: as principais publicações, os investigadores que contribuíram para o estudo das coleções, os sítios arqueológicos que o Museu escavou e o espólio que integrava o acervo da instituição.

[MACHADO, João L. Saavedra, Subsídios para a História do Museu Etnológico do Doutor Leite de Vasconcelos. OAP, Série 2, vol. V. Separata editada em 1965]

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1965

O desenho arqueológico é um trabalho de grande relevância para o registo e o estudo dos materiais arqueológicos.

É uma espécie de linguagem própria que reúne a observação e o rigor das medições.

Dario de Sousa foi um dos desenhadores do Museu, assinando inúmeros desenhos, como a ilustração do Torques de Vilas Boas, adquirido neste ano, e também plantas de sítios arqueológicos, como as primeiras que foram feitas da Gruta do Escoural.

[Torques de Vilas Boas, Vila Flor, MNA Au 567, Dario de Sousa, Ethnos, vol. 4]

1966

A escavação do Tholos do Escoural, dirigida por Manuel Farinha dos Santos, decorreu entre 1964 e 1966, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian.

Este monumento funerário de falsa cúpula é constituído por câmara, corredor e átrio, revestidos com lages de pedra.

Neste ano, dá-se a mudança de nome para Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, na sequência da reorganização do sistema de museus portugueses.

[Pontas de seta, MNA 984.190.67, MNA 984.194.46, MNA 984.191.37]

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1967

No piso superior do Museu, no Salão Nobre, expunha-se o abundante espólio cerâmico e metálico de época romana, recolhido ao longo de sucessivas campanhas de escavação pelo território nacional.

[Reservas romanas © Estúdio Mário Novais]

1969

António Júdice Bustorff da Silva (1895-1979) fez uma doação ao Estado Português de uma importante coleção de bens arqueológicos, sendo requisito que desse entrada no Museu Nacional de Arqueologia.

Este riquíssimo acervo representa um importante contributo de um colecionador privado para o enriquecimento do património cultural do país.

[Sarcófago etrusco, MNA BUS 276]

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1970

A Cartilha em Língua Tamul e Português foi impressa em Lisboa por Germão Galharde (um dos primeiros impressores estrangeiros que viveram em Portugal), em 1554, por ordem do Rei D. João III.

Era usada pelos Missionários no ensino da língua portuguesa e da doutrina cristã. Tamul era a língua mais usada no sul da Índia.

Leite de Vasconcelos adquire esta obra singular em 1909, mas só em 1970 é publicada uma edição fac-similada, pelo Museu.

1971

Este escaravelho egípcio é um testemunho material inequívoco das intensas e antigas trocas comerciais entre o Mediterrâneo Oriental e a Europa Ocidental.

Foi encontrado na necrópole da Azinhaga do Senhor dos Mártires (Alcácer do Sal), um sítio arqueológico cujos vestígios provam uma longeva e multicultural ocupação humana do território.

[MNA 2005.85.1]

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1972

nformações de trabalhadores rurais e intensos trabalhos de prospeção conduziram Caetano de Mello Beirão (1923-1991) à descoberta de várias estações arqueológicas na zona de Ourique, destacando-se a Necrópole da Fonte Santa, da Idade do Ferro.

Este sítio, condenado a desaparecer, está hoje submerso pela barragem do Monte da Rocha.

[Colar de contas de pasta vítrea, MNA 2003.91.2]

1973

Quando D. Fernando de Almeida sucede a Manuel Heleno na direção do Museu e nas escavações de Troia, centra os seus trabalhos no núcleo religioso, pondo a descoberto o templo paleocristão, as oficinas de salga que o circundam, assim como a necrópole das sepulturas mensae (de mesa).

[Lucerna paleocristã com crismon, MNA 983.226.17]

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1974

«A cultura é só uma, tudo o que aprendemos do nascer ao morrer, da nossa invenção ou alheia, sentados nos bancos da escola ou da vida.»

Manuel Viegas Guerreiro (1912-1997) é nomeado o 4.º Diretor do Museu.

[MVG com o seu mentor José Leite de Vasconcelos © Fundação Manuel Viegas Guerreiro]

1975

João Manuel Bairrão Oleiro (1923-2000), reconhecido especialista em mosaística romana, assume funções como o 5.º director do Museu.

[Painel de Ulisses, Mosaico de Santa Vitória do Ameixial, MNA 17950]

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1976

O Museu estará encerrado ao público até 1980, com exceção da abertura pontual para apresentação de exposições temporárias em 1978 e 1979.

Paralelamente, as aquisições, doações e escavações continuam.

Esta ânfora lusitana, produzida sobretudo nas olarias do Baixo Sado e Tejo, provém dos trabalhos que decorriam em Troia.

[Ânfora do tipo Lusitana 3 ou Almagro 51 C variante A, MNA 997.4.2]

1977

As escavações arqueológicas em Torre d’Ares - Balsa, promovidas pelo Museu Nacional de Arqueologia e com responsabilidade científica de Maria e Manuel Maia, reuniram um vasto e heterogéneo espólio.

Destaca-se, em particular, o conjunto de Terra Sigillata.

[Fragmento de Terra sigillata Sudgálica do Tipo Dragendorff 37 com representação de um Sátiro a dançar e de uma cena erótica, MNA 2004.322.33]

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1978

«Privar as províncias desse poderoso meio de cultura e representação científica [o património arqueológico: monumentos e coleções], equivaleria a destruir as suas condições de progresso intelectual e a querer que não houvesse no reino mais do que duas ou três cidades dignas de atenção.» Estácio da Veiga, 1880

[Exposição 1.º Centenário da Carta Archeologica do Algarve: Estácio da Veiga - O Homem e a Obra]

1979

No âmbito da reunião do Comité Internacional dos Museus de Tecidos e Traje do ICOM, que decorreu de 22 a 27 de Setembro de 1978, o Museu Nacional do Traje propôs a quatro Museus de Lisboa (Museu de Arte Antiga, Museu Calouste Gulbenkian, Museu de Etnologia e Museu de Arqueologia), a organização de exposições.

A exposição do MNA, O Trajo, do Neolítico à Romanidade revestiu-se de duplo interesse pois trouxe uma nova dinâmica ao Museu e mostrou bens raros que nunca estiveram expostos.

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1980

A exposição Tesouros da Arqueologia Portuguesa mostrou ao público um número notável de bens de joalharia antiga, desde os primórdios da metalurgia – Calcolítico - até à Idade Média.

Inaugurada em 28 de Novembro de 1980 e reformulada em 2001 e 2017, expunha a maior coleção de ourivesaria arcaica do país até 2022.

[Foto © Estúdio Delfim Ferreira]

1981

Francisco Alves, director de 1980 a 1996, dá início a um ambicioso programa de reestruturação e de modernização das instalações e equipamentos.

As vitrinas existentes, ainda do séc. XIX, e as reservas vão ser progressivamente desmontadas e substituídas nos anos que se seguem.

O MNA conserva uma destas vitrinas na sua coleção de mobiliário histórico.

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1982

A grande desmontagem e reorganização do Museu mobilizou uma vasta equipa e implementou uma nova abordagem na organização e museografia do espólio arqueológico e etnográfico.

Assistiu-se a uma verdadeira «escavação» no imenso acervo acumulado ao longo de quase um século.

[Esquema planimétrico da Ala Oeste do Museu]

1983

As instalações do Museu foram completamente remodeladas no seu interior.

Através da colocação de divisórias, no 1.º piso, as galerias foram reorganizadas por serviços e respetivas áreas de trabalho.

Criaram-se gabinetes, espaços laboratoriais, salas de arquivo e de reserva, salas de investigadores internos e externos, e espaços de leitura e consulta de documentação.

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1984

Criação do Laboratório de Paleoecologia no 1.º piso do Museu, que funcionou como a primeira estrutura laboratorial nacional vocacionada para as disciplinas de Paleoecologia da Paisagem, História da Vegetação, Palinologia, Carpologia, Antracologia e Arqueobotânica.

1985

Implementou-se um novo sistema de inventário das coleções, seguindo as melhores práticas para a organização de espólios arqueológicos depositados em museu, com o objectivo de tornar as coleções mais acessíveis, facilitar o seu estudo e optimizar as condições de conservação.

Foi neste ano que se instalou a estrutura metálica na reserva geral, que se prolongou em 1987 e 1991.

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1986

A reorganização da biblioteca e uma catalogação do acervo deram uma nova dinâmica a este serviço, já considerado uma referência no acesso a publicações especializadas.

A revista O Arqueólogo Português iniciou a 4.ª série, incrementando as permutas para cerca de 300, com instituições nacionais e internacionais.

1987

O Museu nunca parou de se renovar e de ampliar as suas coleções.

Importantes doações de colecionadores privados sempre contribuíram para valorizar e diversificar o acervo do MNA. Francisco de Barros e Sá, foi um desses colecionadores.

Um exemplo de bem por si doado, é este fragmento de taça em prata do séc. II-I a. C. com uma rara inscrição celtibera, proveniente de Monsanto da Beira, Idanha a Nova, e classificado como Tesouro Nacional.

[Coleção de Francisco Barros e Sá, MNA Au 996]

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1988

Este fragmento de mosaico romano é uma possível representação da rainha do Sabá, também conhecida por Balquis.

Pertence a um mosaico original encontrado perto do Rio Eufrates (Síria) que foi fragmentado em 40 painéis e disperso por seis importantes museus europeus.

O MNA recebeu do Museu Nacional de Antiga cinco destes fragmentos, por ofício de 1951.

Em 1988, foram alvo de um minucioso trabalho de restauro, devolvendo-lhe todo o seu esplendor.

[Mosaico de Balquis, 244 d.C. - 256 d.C, MNA 2002.5.4. OAP, Série 4, vol. III, p.155-176]

1989

O Museu reabre portas a 6 de Outubro com a exposição de longa duração Portugal, Das Origens à Época Romana.

Reunindo bens culturais das várias coleções, o visitante pôde apreciar os muitos testemunhos da evolução e transformação da humanidade no território geográfico que é actualmente Portugal.

Foram explorados temas como as noções de vida, morte, devoção, mitologia, guerra, comércio e interculturalidade para perceber como viviam os nossos antepassados.

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1990

D. Luís Pereira Bramão, outro generoso colecionador, doou ao Museu um importante núcleo de peças arqueológicas etruscas, gregas e romanas, adquiridas em Itália, entre os anos de 1950 e 1960.

«Se não tivesse vivido nesse período em Itália, nunca teria feito esta coleção (…) Roma estimulou imenso o meu interesse por esses maravilhosos objetos, produzidos por artistas magníficos há mais de dois mil anos».

Na foto D. Luís Bramão no dia em que depositou a sua coleção no Museu

[Um gosto privado, um olhar público, p.19-20, Catálogo]

1991

Na sequência da criação do Instituto Português de Museus (IPM), é atualizado o nome do Museu para Museu Nacional de Arqueologia. O logótipo, da autoria do designer Aurelindo Jaime Ceia (1944-2024), consolida a nova designação.

Em 2016, “desenhou-se” o logótipo na calçada portuguesa, em frente à entrada do MNA.

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1992

A investigação acerca de nove paletas pré-dinásticas (4.500 - 3.000 a.C.) destinadas a misturar unguentos relacionados com cuidados de beleza no antigo Egito, são apresentadas pela primeira vez numa Conferência Internacional para a Egiptologia, no Quebec e em Toronto, Canadá.

[MNA E 18 e E 15]

1993

A exposição Antiguidades Egípcias inaugurou a 20 de Dezembro e esteve patente ao público durante três décadas.

A coleção egípcia do Museu, reunida durante o século XX, conta 5.000 anos de história.

Na foto, Luísa Guerreiro e Moisés Costa Campos (ambos do MNA) e Luís Manuel de Araújo, comissário científico da exposição, executam a cuidadosa colocação da múmia de Sukhetsahor no espaço expositivo.

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1994

«Lisboa Subterrânea (...) vai mais longe, procurando evidenciar áreas sombrias, dúvidas e interrogações, abordar questões novas ou reviver outras, que necessitavam atualização.»

Ana Margarida Arruda, Comissária científica da exposição.

No âmbito da Lisboa Capital Europeia da Cultura 94, o Museu inaugura a 25 de Fevereiro uma exposição sobre os mais importantes trabalhos e vestígios arqueológicos, identificados na cidade de Lisboa, alterando, por completo, a visão acerca do que é fazer arqueologia em contexto urbano.

[Capa do catálogo com uma grade medieval da Sé de Lisboa]

1995

As comemorações do Ano Europeu do Bronze são assinaladas em toda a Europa.

No MNA, a exposição inaugurada a 4 de Maio, consiste na primeira síntese sobre as diferentes culturas que, durante a Idade do Bronze, ocuparam o atual território português.

Período charneira do domínio do Homem sobre a Natureza, observa-se a formação de hierarquias sociais e territoriais, a manipulação e especialização tecnológica e a integração de comunidades locais numa emergente «economia-mundo».

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1996

«A presente exposição mergulha nas raízes profundas da nossa identidade, tarefa imprescindível de uma verdadeira instituição cultural.»

Simonetta Luz Afonso, presidente do Instituto Português de Museus.

Inaugurada a 17 de Maio, parte das heróicas figuras dos nossos mitos e da nossa história serviram para retratar a evolução do povoamento no primeiro milénio a.C., cujo florescimento é fruto de uma intensa exploração de recursos e do desenvolvimento da metalurgia.

1997

O Museu inicia uma estratégia de colaboração com as autarquias, visando o desenvolvimento de exposições monográficas com coleções locais mas de importância nacional.

A exposição dedicada ao Povoado de Leceia (Oeiras), considerado um dos mais investigados povoados fortificados Calcolíticos da Península Ibérica, marcou o início deste novo caminho, com o cunho do director Luís Raposo, cargo que ocupou de 1996 a 2012.

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1998

A mais esperada das exposições síntese nacionais foi inaugurada a 15 de julho.

Dezenas de instituições e colecionadores privados, de Norte a Sul do País, contribuíram com bens culturais nunca antes reunidos e patentes ao público.

Esta, que foi a primeira grande mostra do passado islâmico português, parte à descoberta da herança cultural e tecnológica do Islão em Portugal, uma incursão em terra incógnita, mas necessária, segundo Luís Raposo.

1999

O Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA) é criado com o objetivo de apoiar as atividades e a função social do Museu, tanto em Portugal como no estrangeiro, através da organização de numerosas e diversas ações (como, por exemplo, conferências, exposições, ciclos de cinema, visitas guiadas, passeios turísticos, patrocínios).

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2000

Inaugurada a 7 de Junho, esta exposição percorreu 7.000 anos de história da região de Viseu, um polo geográfico aglutinador de sucessivas culturas humanas como nos prova a Arqueologia.

Esta mostra revela continuidades e rupturas, semelhanças e diferenças, fragmentos de um passado comum que se procuraram reunir para a construção de uma identidade nacional e do quotidiano coletivo das gentes, dos seus hábitos em vida e dos seus costumes na morte.

2001

A 20 de junho abre ao público mais uma exposição de índole local, que pretendeu ser um repositório da memória da Silves Islâmica.

Através de uma bem concebida cenografia, evocaram-se os ambientes do palácio.

A prolongada presença islâmica no Algarve fez desta região um sítio de particular interesse para a investigação arqueológica medieval em Portugal.

O Museu consolidou-se definitivamente como um espaço privilegiado de divulgação de cultura e de descentralização.

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2002

Com inauguração a 27 de junho, a exposição Religiões da Lusitânia Loquuntur Saxa divulgou as práticas religiosas e funerárias do período pré-romano e romano que ocorriam no atual território português.

De igual modo, revisitaram-se aspectos marcantes da organização da vida quotidiana e da interação dos romanos com os vários povos peninsulares prévios à conquista.

Esta exposição manteve-se até 2022.

[Hermes Bifronte, Quinta de Cacela, Tavira, MNA 994.42.1]

2003

A continuidade de um programa expositivo em parceria com autarquias foi adquirindo um assinalável êxito junto do público nacional e estrangeiro.

Desta forma, as descobertas arqueológicas mais recentes e, por isso, menos divulgadas, tinham uma plataforma de divulgação a nível nacional.

Esta exposição síntese, que inaugura a 5 de agosto, abarca desde a Pré-história até à Idade Moderna.

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2004

A 17 de maio inaugura uma exposição com as 100 mais importantes descobertas da arqueologia chinesa, no século XX, composta por réplicas em tamanho real.

Pela primeira vez, o MNA desenvolve uma iniciativa conjunta com um país do Oriente, através da Embaixada da República Popular da China em Portugal.

2005

O Museu, noutra iniciativa em rede, inaugura, a 1 de Março, mais uma exposição internacional, Aqua Romana, acerca da percepção, mitologia, propriedades e o uso da água na época romana.

As peças reunidas vieram de mais de duas dezenas de museus em Espanha, Itália, Croácia e Portugal.

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2006

O Museu associa-se como membro da Comissão de Honra às efemérides que assinalam a realização, pela primeira vez no nosso país, do Congresso Internacional da UISPP - Union Internationale des Sciences Préhistoriques et Protohistoriques.

Esta exposição inaugura a 4 de Setembro, fez parte do Programa Geral das atividades integradas nesse congresso.

2007

As três múmias humanas e as sete múmias de animais das coleções do MNA foram analisadas por radiografia e TAC, numa parceria inovadora com a IMI-Art (Imagens Médicas Integradas) e com o patrocínio da Siemens.

Este projeto designou-se The Lisbon Mummy Project e veio a ser divulgado mais tarde no âmbito do projeto Google Arts & Culture.

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2008

Esta exposição itinerou entre 2007 e 2008 no Centro Cultural Banco do Brasil, nas sedes no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.

O MNA foi a instituição emprestadora portuguesa com mais bens culturais expostos (54), alguns deles classificados como BIN’s/«Tesouros Nacionais».

A estátua do Guerreiro Galaico do Lezenho, Boticas (E 3398) foi capa de um dos catálogos.

Pela primeira vez, os guerreiros galaicos atravessaram o Atlântico.

2009

Nesta exposição inaugurada a 19 de Março, o MNA associou-se ao Ecomuseu Municipal do Seixal e reconstituiu, em tamanho real, um forno de cozedura de cerâmica comum e de ânforas.

Desta forma, o público pode perceber, de forma didática e sensorial, o processo da olaria romana desenvolvida no estuário do Tejo.

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2010

O MNA associa-se à comemoração do centenário da implantação da República com uma exposição evocativa dos testemunhos de um quotidiano etnográfico urbano, recolhido, em 1910, por Luís Chaves (1889 - 1975), preparador e conservador do Museu desde 1893 até 1919.

Inaugurada a 1 de Dezembro, mostra um acervo tão simples quanto comovente sobre o impacto da República no dia-a-dia da cidade e do País.

2011

Um olhar sobre a Pré-História do Espichel é mais uma iniciativa para sublinhar a importância da arqueologia local.

Esta exposição, inaugurada a 15 de Setembro, tem um discurso museográfico marcadamente didáctico, proporcionando momentos ricos em experiências visuais, auditivas e sensoriais, para melhor relacionar o público com o património arqueológico através do toque em fósseis e em objectos de pedra.

O visitante é convidado a conhecer o Espichel dos dinossauros e o Espichel do Homem.

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2012

António Carvalho é nomeado diretor do MNA, coincidindo com o programa de assistência a Portugal.

A elaboração de um diagnóstico profundo da instituição torna possível re-alinhar o posicionamento e os objetivos do Museu, preparar uma programação que manteve as parcerias com as autarquias e com as universidades e apresentar um programa expositivo onde se reforçou a vocação internacional do MNA através de parcerias com instituições congéneres.

[© Sul Informativo]

2013

No âmbito da celebração dos 120 anos do Museu, inaugura-se, a 17 de Maio, a exposição Monte dos Castelinhos, Vila Franca de Xira e a conquista romana do vale do Tejo.

Evidencia-se o papel de proximidade do MNA com os territórios, através da apresentação da investigação e da divulgação de mais um importante sítio arqueológico que ainda não tinha merecido um tratamento expositivo monográfico.

O extenso e diversificado programa de atividades recorda a História e o papel da instituição fundada por iniciativa de Leite de Vasconcelos.

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2014

Para assinalar 30 anos da relação entre o Museu e a Arqueologia náutica e subaquática em Portugal, e a pretexto da contribuição para o debate em torno da pretensão do Estado Português à extensão da Plataforma Continental, a exposição apresentou o Estado da Arte da investigação nestas disciplinas.

Inaugurada a 19 de Março, contou ainda com uma parceria essencial com o laboratório espanhol ARQUA, em Cartagena, para a conservação de duas pirogas monóxilas e alguns artefactos em madeira, reforçando parcerias ibéricas.

2015

A exposição Alqueva: 20 Anos de Obra, 200 Milénios de História, foi inaugurada a 2 de outubro, em colaboração com a EDIA, a Direção Regional de Cultura do Alentejo e a Marinha.

Uma exposição que mostrou, pela primeira vez, os extraordinários e diversificados resultados de campanhas arqueológicas de minimização de impactes realizadas no âmbito das obras de construção do maior lago artificial da Europa.

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2016

Numa cooperação sem precedentes entre 19 museus e instituições culturais de Portugal e de Espanha, esta mostra centra-se no conceito de recuperar as fronteiras históricas da Lusitânia romana como elemento aglutinador.

Os 207 bens culturais expostos ilustram as semelhanças e as diferenças entre o passado da Lusitânia romana portuguesa e espanhola.

O MNA e o Museo Nacional de Arte Romano, de Mérida, foram co-organizadores.

Depois de ter sido apresentada em Mérida, a exposição inaugurou a 25 de Janeiro no MNA, e seguiu para o Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

2017

O património de Loulé esteve sempre ligado ao Museu, já que a coleção reunida pelo arqueólogo Estácio da Veiga, com que pretendia constituir o Museu Arqueológico do Algarve, foi incorporada no então Museu Etnográfico Português, em 1894.

Por isso, esta exposição, inaugurada a 21 de junho, vive não só das memórias arqueológicas e da identidade da região algarvia, mas também da história do próprio MNA.

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2018

A Roménia e Portugal possuem importantes acervos museológicos de ourivesaria antiga.

Os dois países, apesar de situados nos extremos da Europa, estão ligados pela cultura latina comum e pelo interesse que as suas antigas civilizações dedicaram ao ouro e à prata que o subsolo dos seus territórios guardava.

A exposição Ouro Antigo, Do Mar Negro ao Oceano Atlântico, inaugurada a 28 de novembro, assinala os 100 anos de relações diplomáticas bilaterais entre os dois países.

2019

O MNA é uma das instituições que integraram o projeto Portugal: Arte e Património, resultante de uma parceria do Governo português com o Google Arts & Culture.

Este projeto permitiu ao Museu disponibilizar oito exposições digitais, ilustradas por 163 imagens maioritariamente das suas coleções.

[Filósofos e Musas, detalhe de friso de sarcófago romano, MNA 994.21.1]

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2020

Exposição que inaugura a 14 de novembro e que apresenta uma visão, tão completa quanto possível, da vivência humana numa parte da Península Arábica - o território de Sharjah -, desde a pré-história à contemporaneidade.

Na tradição internacionalista do MNA, expõem-se objetos, modos de vida e pontos de contacto.

Em colaboração com o Instituto de Arqueologia e Paleociências da NOVA FCSH e com a Autoridade Arqueológica de Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos (EAU), foi também, uma importante ação de diplomacia cultural assente na História e no Património.

2021

Esta grande exposição temporária, inaugurou no MNA a 9 de Abril, após ter estado patente em Alicante.

Gozou de tanto sucesso que foi reprogramada uma terceira e quarta vez, pelos Comissários Científicos, para o Museo Arqueológico Nacional de Madrid e o Museu de Huelva.

Isto constitui um virtuoso exemplo do que deve ser uma boa política pública de reaproveitamento do capital instalado nas instituições.

Cerca de 200 bens culturais portugueses e espanhóis dão a conhecer o imenso e rico património, do IV e III milénios a. C., partilhado entre os dois países.

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2022

A realização da exposição Abraço Vivamente a Sua Ideia ganhou o simbolismo do encerrar de um ciclo.

Bernardino Machado e Leite de Vasconcelos, aliados na criação do então Museu Etnográfico Português, reencontram-se, uma vez mais, para assistir a outra grande etapa na história do Museu Nacional de Arqueologia: o encerramento ao público, em abril, para início da execução do PRR, um ano depois de ter sido anunciado publicamente o PRR para o Museu.

[Exposição em parceria com o Museu Municipal Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, financiada e no âmbito do Promuseus]

2023

O Museu, encerrado ao público desde 2022, inicia a empreitada da desmontagem das exposições de longa duração, da conferência de inventários, do embalamento dos bens e da realização de ações de conservação.

Entre setembro e dezembro de 2023, realizou-se a transferência e reinstalação de coleções e serviços, bem como a criação de uma área técnica de monitorização das coleções.

O ano terminou com a celebração do protocolo com a Marinha, em que o Museu recebe definitivamente a Torre Oca e a gestão do páteo interior passa a ser partilhada entre as duas instituições.

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Créditos

Ficha Técnica

DireçãoAntónio Carvalho
CoordenaçãoFilipa Neto · Lúcia Valdevino
ConteúdosAntónio Carvalho · Carine de Souza · Carlos Morgado · Filipa Neto · João Pimenta · Lívia Cristina Coito · Lúcia Valdevino · Rafael Lima
Edição de ImagensJorge Vila Nova AlvesMuseus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
Design WebJoão JacobMuseus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
Desenvolvimento WebPedro MartinsMuseus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
Fontes Visuais
Arquivo Pessoal José Leite de Vasconcelos (APJLV)·Arquivo Pessoal Manuel Heleno (APMH)·Arquivo Histórico — MNA·Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa (AMF-AMLSB)·Arquivo Histórico do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG)·Arquivo Diário de Notícias — Global Média·Centro Português de Actividades Subaquáticas (CPAS)·Deutsches Archäologisches Institut, DAI·Fundação Manuel Viegas Guerreiro (FMVG)·Património Cultural, I.P. / SIPA (PC IP/SIPA)

* Todas as fotografias pertencem aos arquivos do MNA, salvo indicação.